O modelo de trabalho híbrido veio para ficar. Segundo pesquisas recentes, 74% das empresas brasileiras adotaram alguma forma de trabalho remoto. Mas como fica o vale-transporte nesse cenário? Entenda os aspectos legais e as melhores práticas para adaptar sua política.

O Novo Cenário do Trabalho

O mercado brasileiro opera com três modelos principais:

  • 100% presencial: Colaborador vai ao escritório todos os dias úteis
  • Híbrido: Combinação de dias presenciais e remotos (o mais comum: 3x2 ou 2x3)
  • 100% remoto: Colaborador trabalha integralmente de casa
74%
Empresas com trabalho híbrido
40%
Economia potencial em VT
3 dias
Média presencial/semana

Aspectos Legais: O Que Diz a Lei

A Lei 7.418/85 é clara: o vale-transporte é um benefício para o deslocamento residência-trabalho-residência. Nos dias em que o colaborador não se desloca, não há obrigação de fornecer o benefício.

💡 Ponto Fundamental

O VT deve ser concedido proporcionalmente aos dias de comparecimento presencial. Se o colaborador vai ao escritório 3 vezes por semana, o cálculo deve considerar apenas esses 3 dias, não os 5 dias úteis completos.

Base Legal para Proporcionalidade

  • Lei 7.418/85 — prevê o benefício para deslocamento efetivo
  • Decreto 10.854/2021 — regulamenta o teletrabalho e seus reflexos
  • CLT Art. 75-A ao 75-E — disposições sobre teletrabalho
  • Convenções coletivas — podem prever condições específicas

Como Calcular o VT Proporcional

O cálculo do VT para colaboradores em modelo híbrido segue esta lógica:

  1. Defina os dias presenciais: Quantos dias por semana o colaborador comparece
  2. Calcule dias úteis presenciais/mês: Dias presenciais/semana × 4,4 (média de semanas/mês)
  3. Multiplique pelo custo diário: Número de viagens × tarifa
  4. Aplique o desconto de 6%: Sobre o salário base, limitado ao valor do VT

Exemplo Prático:

  • ✅ Modelo: Híbrido 3x2 (3 dias presenciais, 2 home office)
  • ✅ Tarifa diária (ida + volta): R$ 9,60
  • ✅ Dias presenciais/mês: 3 × 4,4 = 13,2 dias
  • ✅ Custo mensal: 13,2 × R$ 9,60 = R$ 126,72
  • ✅ Modelo antigo (5 dias): 22 × R$ 9,60 = R$ 211,20
  • Economia: R$ 84,48/mês por colaborador (40%)

Melhores Práticas para RH

1. Formalize a Política

Crie um documento formal de política de VT híbrido aprovado pela diretoria e pelo jurídico. Distribua para todos os colaboradores e obtenha ciência por escrito.

2. Atualize a Declaração de VT

Inclua na declaração de utilização de VT a informação sobre o modelo de trabalho (presencial, híbrido, remoto) e os dias de comparecimento presencial.

3. Automatize o Controle

Use um sistema que integre a escala de trabalho presencial com a recarga de VT. Isso evita erros manuais e garante que o valor correto seja carregado automaticamente.

4. Monitore Alterações

Colaboradores podem mudar de modelo (de híbrido para presencial, ou vice-versa). Tenha um processo ágil para atualizar o VT sempre que houver mudança na escala.

5. Considere o Auxílio Home Office

Muitas empresas complementam a economia de VT oferecendo um auxílio home office para internet e energia. Isso demonstra cuidado com o colaborador e compensa a redução do benefício de transporte.

"O trabalho híbrido é uma oportunidade de ouro para otimizar custos com VT. Mas precisa ser feito com transparência, base legal e respeito ao colaborador." — Anderson Belem Costa, CEO Otimiza.Pro

Conclusão

Adaptar a política de vale-transporte ao modelo híbrido não é opcional — é uma necessidade legal e financeira. Empresas que ajustam o VT proporcionalmente aos dias presenciais podem economizar até 40% sem reduzir benefícios reais aos colaboradores. O segredo está em formalizar, automatizar e comunicar com clareza.

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AC

Anderson Belem Costa

CEO & Fundador | Otimiza.Pro

Empreendedor com mais de 15 anos de experiência em tecnologia e gestão corporativa. Fundou a Otimiza.Pro com a missão de transformar a gestão de mobilidade no Brasil.